terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Nossas poesias

Calabar Sou Eu

 (Milena Borges dos Santos)

 Eu tenho uma coisa

Que quero te contar

Se não fosse nosso povo

Não existiria Calabar

 

Eu tenho um segredo

Que eu quero te contar

Se não fosse o Calabar

Onde eu iria morar?

 

Eu tenho um sorriso

Um sorriso colgate

Eu tenho o Calabar

Que mora na minha felicidade

 

A Biblioteca do Calabar

Tem vários livros pra gente ler

Quanto mais nós lemos

Mais iremos aprender

 

Eu gosto de ler

Eu gosto de aprender

Se não fosse a Biblioteca do Calabar

Onde eu iria ler?

 

Poesia publicado no VII livreto de poesia do grupo MACCACA

Nossas poesias

Rap do Calabar


(Tacila dos Santos Cerqueira)


O Calabar é o que é

O Calabar é o que é

 

Ele é um bairro muito admirável

É meio pobrinho e também tem espinhos

O inferno é na terra

Mas não é no Calabar

Com certeza é em outro lugar

 

Não se esqueça meu irmão

O Calabar é um bairro

Fique ligado

 

O Calabar é um bairro engraçado

Fique ligado

Preste atenção não desligue a televisão

O Calabar vai passar

Muito limpinho sem lama e espinho

 

Meu irmão eu fiz essa canção

Para homenagear o bairro do Calabar

Que está dentro do meu coração

E pra sempre vai estar

Calabar! Calabar! Calabar

 

Texto publicado no jornal A Tarde- Atardinha.

Nossas poesias

Calabar, 30 anos de luta organizada

(Rodrigo Rocha Pita)

O Calabar está fazendo 30 anos de luta e resistência

Agradeço aos nossos heróis

por lutarem por sua sobrevivência.

Por muitas vezes tentaram de nossas casas nos expulsar

Mas pela frente encontraram uma muralha chamada Calabar,

Surgida de um quilombo.

Herdamos a coragem de negros fortes e resistentes

Nosso escudo é a união

Nossa bala o ideal inteligente,

30 anos, só o começo dessa comunidade persistente

De geração a geração.

Temos mais de um trilhão de anos pela frente

Calabar também sou eu, guerreiro sobrevivente.

 

Poesia publicada na terceira antologia poética do poeta baiano Valdeck Almeida de Jesus

Nossas Poesias

Ego meu

 (Rodrigo Pita)

Que coração louco

Que louco coração

Frio e duro como uma pedra de gelo

Não há nada que o possa penetrar

Nem o máximo das volúpias

Nem mesmo a deusa vestal

Nem sereias, nem Afrodite

Nem seriedade nem meninice

Que nem este coração não há igual

Não sei se isso é bom

Ou se é mal

 

Outrora penso que é bom

Pois, protejo-me de eventuais sofrimentos

Outra penso que é mal

Pois do açúcar e do sal

Dizem que é bom provar

 

Mas como me entender

Ás vezes tenho vontade de me vituperar

Olhar para o mundo e vociferar

-Eu quero amar!

-Eu quero amar!

Mas não dá...

O meu coração não tem lugar

Pra se ocupar com outra coisa

Que não seja eu

 

Poesia


O gondoleiro do amor
Barcarola
Dama negra
(CAstro Alves)
Teus olhos são negros, negros,
Como as noites sem luar...
São ardentes, são profundos,
Como o negrume do mar;
Sobre o barco dos amores,
Da vida boiando à flor,
Douram teus olhos a fronte
Do Gondoleiro do amor.
Tua voz é a cavatina
Dos palácios de Sorrento,
Quando a praia beija a vaga,
Quando a vaga beija o vento;
E como em noites de Itália,
Ama um canto o pecador,
Bebe a harmonia em teus cantos
O Gondoleiro do amor.
Teu sorriso é uma aurora,
Que o horizonte enrubesceu,
- Rosa aberta com biquinho
Das aves rubras do céu.
Nas tempestades da vida
Das rajadas no furor,
Foi-se a noite, tem auroras
O Gondoleiro do amor.
Teu seio é vaga dourada
Ao tíbio clarão da lua,
Que, ao murmúrio das volúpias,
Arqueja, palpita nua;
Como é doce, em pensamento,
Do teu colo no langor
Vogar, naufragar, perder-se
O Gondoleiro do amor!? ...
Teu amor na treva é - um astro,
No silêncio uma canção,
É brisa - nas calmarias,
É abrigo - no tufão;
Por isso eu te amo, querida,
Quer no prazer, quer na dor,...
Rosa! Canto! Sombra! Estrela!
Do Gondoleiro do amor.