sexta-feira, 24 de abril de 2009

Domingo na Bienal






A Biblioteca Comunitária do Calabar, a Avante e voluntários do Instituto C&A participam da Bienal do Livro – Bahia 2009.
Salvador recebe, de 17 a 26 de abril, a 9ª Bienal do Livro Bahia - 2009 e na vasta programação foi reservado um lugar especial para a criançada – O Circo das Letras. No domingo, 19/04, a programação do Circo das Letras foi cuidadosamente planejada pela Biblioteca Comunitária do Calabar (Rodrigo Pita), Avante – Educação e Mobilização Social (Rita Margarete), e voluntários do Instituto C&A para ser um dia, inteirinho, de contos e encantos: Oficinas, contação de histórias, recitais de poesias, e teatro prenderam a atenção de centenas de pais e de filhos que compareceram à bienal e se acomodaram no espaço reservado ao Circo das Letras para apreciar as histórias, poesias e a “peça maluca” encenada pelos educadores e adolescentes da Biblioteca Comunitária do Calabar. Entre uma contação de história e outra, as crianças manifestavam, enfaticamente, a sua preferência: - Agora conta a historinha de .... - Não, essa não. Conta a de ..... - Eu já tinha pedido a historinha de..... - Ah! Conta essa de novo! O encantamento das crianças pela literatura já não é novidade, mas o que se viu nesse domingo foi pais e mães tão atentos as narrações que até balbuciavam as falas dos personagens. Na oficina Contos e Encantos, após a leitura de “O homem que amava caixas”, os adultos, junto com as crianças, encaixaram caixinhas e fizeram belas construções, assim como o personagem do livro. Além disso, “O homem que amava caixas”, “Guilherme Augusto Araújo Fernandes”, “A casa sonolenta”, exemplos de boas opções de leitura, passaram a fazer parte do repertório de muita gente. O grupo de poesias da Biblioteca Comunitária do Calabar trouxe para o Circo das Letras autores consagrados como Castro Alves, Ruth Rocha, Carlos Drummond de Andradade e autores ainda não reconhecidos nacionalmente como o escritor baiano Valdeck Almeida de Jesus, além de apresentarem suas próprias produções. O público, admirado com o desempenho dos adolescentes, pediu mais informações sobre o projeto Formação de Leitores na Comunidade do Calabar. (Por Rita Margarete)


Abertura da IX Bienal do livro da Bahia






Três bibliotecas comunitárias de Salvador, Biblioteca Comunitária do Calabar, Biblioteca Comunitária do Cabula e Biblioteca C. Bety Coelho(Boca do Rio), fizeram a Abertura da IX Bienal do Livro da Bahia.
As três bibliotecas apresentaram-se com grupos de recitais poéticos. Uma pequena demonstração dos talentosos garotos e garotas para abrir com pé direito a IX Bienal do Livro da Bahia.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Motivo

(Cecília Meireles)

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritmada.
E sei que um dia estarei mudo:
- mais nada

(Recitada por Jussara dos Santos)

Poesia

4º Motivo Da Rosa

(Cecília Meireles)

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzidas,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.
(Recitada por Joice Regia)

Poesia

Meu Sonho

(Cecília Meireles)

Parei as águas do meu sonho
para teu rosto se mirar.
Mas só a sombra dos meus olhos
ficou por cima, a procurar...
Os pássaros da madrugada
não têm coragem de cantar,
vendo o meu sonho interminável
e a esperança do meu olhar.
Procurei-te em vão pela terra,
perto do céu, por sobre o mar.
Se não chegas nem pelo sonho,
por que insisto em te imaginar?
Quando vierem fechar meus olhos,
talvez não se deixem fechar.
Talvez pensem que o tempo volta,
e que vens, se o tempo voltar.

(Recitada por Isla Gabriele)

O pintinho

(Vinicius de Moraes)

Pintinho novo, pintinho tonto
Não estás no ponto, volta pro ovo
Eu não me calo, falo de novo
Não banque o galo,volta pro ovo
A tia raposa, não marca touca
Ta só te olhando, com água na boca
E se ligeiro você escapar
Tem um granjeiro, que vai te adotar

O meu ovo ta estreitinho, já me sinto um galetinho
Já posso sair sozinho, eu já sou dono de mim
Vou ciscar pela cidade, grão-de-bico em quantidade
Muito milho e liberdade
Por fim.

Pintinho raro, pintinho novo
Ta tudo caro, volta pro ovo
E o tempo inteiro, terás pintinho
Um cozinheiro no teu caminho
Por isso eu digo e falo de novo
Pintinho amigo, então volta pro ovo
Se de repente você escapar
Num forno quente você vai parar


Gosto muito dessa vida
Ensopada ou cozida
Até assada é divertida
Com salada e aipim, tudo lindo a vida é bela
Mesmo sendo a cabidela
Pois, será na panela, meu fim.

Por isso eu digo e falo de novo
Pintinho amigo, então volta pro ovo
E se ligeiro voe escapar
Tem um granjeiro que vai te adotar

(Recitada por Rodrigo Pita e Tamires Araujo)

Poesia

Leveza

(Cecília Meireles )

Leve é o pássaro:
e a sua sombra voante,
mais leve.

E a cascata aérea
de sua garganta,
mais leve.
E o que lembra, ouvindo-se
deslizar seu canto,
mais leve.
E o desejo rápido
desse mais antigo instante,
mais leve.
E a fuga invisível
do amargo passante,
mais leve.

(Recitada por Isla Gabriele)

Poesia

Gargalhada

(Cecília Meireles)

Homem vulgar! Homem de coração mesquinho!
Eu te quero ensinar a arte sublime de rir.
Dobra essa orelha grosseira, e escuta
o ritmo e o som da minha gargalhada:

Ah! Ah! Ah! Ah!
Ah! Ah! Ah! Ah!

Não vês?
É preciso jogar por escadas de mármores baixelas de ouro.
Rebentar colares, partir espelhos, quebrar cristais,
vergar a lâmina das espadas e despedaçar estátuas,
destruir as lâmpadas, abater cúpulas,
e atirar para longe os pandeiros e as liras...

O riso magnífico é um trecho dessa música desvairada.
Mas é preciso ter baixelas de ouro,
compreendes?
— e colares, e espelhos, e espadas e estátuas.
E as lâmpadas, Deus do céu!
E os pandeiros ágeis e as liras sonoras e trêmulas...

Escuta bem:

Ah! Ah! Ah! Ah!
Ah! Ah! Ah! Ah!

Só de três lugares nasceu até hoje essa música heróica:
do céu que venta,
do mar que dança,
e de mim.

(Recitada por Rodrigo Pita, Nildes Trigueiros E Jussara dos Santos)

Poesia

Poema de Sete Faces

(Carlos Drummond de Andrade)

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo, vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo

(Recitada por Nildes Trigueiros)